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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DEPUTADO ALUISIO ASSUSTA PT


Em ambiente político tudo pode acontecer, principalmente em ano eleitoral. O deputado federal Aluisio Santos (PV) deixou o arraial petista em polvorosa ao aceitar costurar acordo com o senador Lindberg Farias (PT) sobre possível coligação em Macaé para a eleição a prefeito. Mais assustados ficaram ainda ao saberem que Aluisio não abriu mão de escolher sua candidata a vice, Ivânia Ribeiro. Isso ocorreu, mas pode mudar, porque política é como nuvem no céu.
Como se sabe, o jovem senador Lindberg está de olho no governo do Estado e, esperto como raposa, já começa a assentar sua base política no interior aproximando-se de candidatos com mais cotação eleitoral.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Turma de 64 do Luiz Reid faz segundo encontro em Macaé



No momento em que a ditadura militar se implantava no Brasil, submetendo ao total silêncio as liberdades democráticas por longos 21 anos, uma turma de 40 alegres adolescentes do Colégio Estadual Luiz Reid terminava o curso ginasial. A maioria das meninas, como era a orientação familiar na época e numa Macaé sem outras opções, ingressava na então prestigiada carreira de professor, o curso Normal. Já os meninos, pensando em voos mais altos e difíceis, optavam pelo chamado curso científico.
E lá se foram 48 anos de uma saudável convivência, de muito humor e  de tão profunda amizade que os sessentões de agora, numa iniciativa dos médicos Edilson Barreto Antunes, Leandro Mattos Soares e Niraldo da Silva Ribeiro, da professora Lúcia Lobo da Silva e Lúcia Quinteiro, resolveram fazer um novo reencontro em Macaé, reunindo no último sábado (28) vinte colegas de turma para uma confraternização no colégio Alfa, com almoço, muitas recordações, gozações e ainda sob os acordes musicais de Gil Savana.
A alegria foi tão contagiante que alguns resolveram expressar sua emoção, como o engenheiro Jorge Ribeiro, hoje residente em Florianópolis: -"É uma lembrança indescritívível, é como se estivesse rodando um filme de um distante passado. E encontrando essa turma aqui, parece que tudo volta como era, uma alegria imensa em poder reviver isso. Cheguei a mandar um e-mail para Lúcia, dizendo: vocês encontraram a chave do portal do tempo. Lembro-me muito bem de quando saí daqui para o Rio enfrentar o disputado pré-vestibular e fazer engenhaira na Universidade Católica de Petrópolis. Mas estou há 32 anos no Sul, sem deixar de voltar anualmente a Macaé, minha terra querida, onde ainda tenho familiares. E quando venho aqui não deixo de lembrar daquele gostoso hábito da então familiar Macaé dos anos 60, quando a prefeitura interrompia o trânsito de veículos entre o Belas Artes e a Marechal Deodoro para o vaivém dos jovens e suas paqueras. Sinto que nossa cidade perdeu sua identidade. É difícil encontrar alguém aqui de raiz".
A campista Regina dos Santos Brito disse que tem muitas recordações daqui: - "A vida nos deixa marcas profundas, e quando chegamos a uma certa idade, encontrando agora colegas de quando tínhamos quinze anos, vem-me à memória uma grande paixão que tive, que foi o colega  Leandro. Então, é muito gratificante rever isso, lembrar saudosamente desse tempo de muita alegria, ingenuidade e sonhos. Há muito tempo sem voltar à Macaé, estive no Cavaleiros e lembrei muito do meu irmão (falecido) Renato. Isso para mim foi demais". Depois do Nornal aqui, Regina foi fazer Serviço Social na UFF, trabalhando por 17  anos no Sesi, em Campos,  depois fez mestrado na área de educação, com atividade na Universidade Cândido Mendes. 
O advogado e administrador de empresa Marcos Duboc é daquela turma "C" de 64: - "Não sou macaense de raiz como a maioria da minha turma, mas me considero como tal, pois vim para cá com apenas três anos de idade, em 1952. Na época, do Rio a Macaé, a estrada era de terra, mesmo assim viemos de jeep, com meu pai,  minha mãe e meus irmãos, uma viagem longa, mas muito interessante, uma grande aventura para mim criança. Lembro do encatamento ao passar pela comprida reta de Barra de São João, com muita areia e a mata de ambos os lados. Macaé era uma pequena cidade em que praticamente todos se conheciam. Se alguém casava todo mundo ficava sabendo, assim como quando alguém falecia. Isso mudou e não é nada bom para os da terra. O Luiz Reid foi uma escola que teve professores muito especiais, como nosso professor de matemática, Pierre Tavares, Edith Arenari, que foi miss Campos, Dionete Lobo e dona Isabel Simão. Quando saí daqui e fui estudar no Rio num colégio muito puxado, só tive dificuldade em inglês porque aqui não tinha laboratório. A base que trouxe do Luiz Reid foi fundamental para o vestibular. Quando conto para amigos sobre esse nosso encontro, eles ficam com inveja".
Já aquela menina que acalentava o sonho de ser professora e hoje é dona do excelente Alfa, Lúcia Maria Lobo da Silva, disse, muito emocionada, que "esse reencontro é como se voltássemos a nossa Macaé antiga, aquela Macaé que conhecíamos as famílias, pai, mãe e irmãos. Essa nossa turma do ginasial foi muito especial, de forte amizade, que foi a razão desse segundo encontro. Depois do ginásio fiz o Normal e também Pedagogia, porque a educação sempre foi minha direção, o meu sonho. O universo conspirou, porque meu marildo Geraldo também tinha um sonho, por isso temos hoje o Alfa, com cerca de 300 alunos, com educação infantil e ensino médio, dentro de uma proposta que estimula a criança a buscar o aprendizado de forma prazerosa, com base em valores humanísticos".
Da turma "C", Macaé ganhou três excelentes médicos, oriundos de famílias de grande prole e limitados recursos, como Edilson Barreto Antunes: - "Terminamos o ginasial quando a ditadura abriu suas asas sobre nós, em 64. Com ela, sofremos o dissabor de ver vários queridos professores sendo denunciados sem razão, presos e humilhados. Eu e Niraldo fomos para Niterói fazer o pré-vestibular em 68, depois de terminado o científico. Aliás, eu e Niraldo temos uma história de vida interessante, porque desde o primário até a faculdade de medicina estivemos juntos. Altamente politizada, a UFF foi palco de muita discussão e reação e, como consquência,  tivemos vários colegas de turma perseguidos e presos. Pegamos o período mais duro da ditadura, entre 69 e 74. A gente era jovem, pobre e  muito focado em ser médicos, por isso mantivemos um prudente distanciamento. Eu,  Niraldo, Daniel Galiza e Roberto Pires fomos da mesma turma,. Então, quando a gente consegue reunir nossos colegas da turma "C" de 64 é de extremo valor e alegria, reavivando nossas memórias e vendo que todos foram bem sucedidos". 
Niraldo lembrou que naquele tempo "nós éramos filhos de família grande e pobre. Lembro que vivia praticamente à base da sanduiche e comendo macarrão, que a gente mesmo preparava, grudando sempre no fundo da panela. Meu pai (Pierre) era professor e eu sabia o duro que era receber algum dinheiro de casa. Felizmente, no primeiro ano já comecei a trabalhar em Banco de Sangue, em Pronto-Socorro, e então pude aliviar a situação". 
Lembra Leandro: -" Quando saí de Macaé em 67 para estudar na faculdade de medicina, que era na Alvaro Alvim, na Cinelândia, o Rio era a capital do Brasil. Apanhei muito por causa de um tal de Vladimir Palmeira (líder estudantil das passeatas da UNE), porque todos os dias ele agitava o povo com seus discursos contra a ditadura, onde é hoje a Câmara dos vereadores. Então, quando saía da faculdade e passava por ali para pegar as barcas de volta a Niterói, a borracha comia solto. Com apenas dezessete anos, saindo de uma cidade pacata como Macaé e sem nenhuma formação política, a gente só queria estudar e não tinha nenhuma ideia do que havia por trás daquilo. Só que quando tomei pé da situação, com a estudantada revoltada com a truculência da ditadura e a falta de liberdade, passei a fazer o que a maioria fazia, enchendo os bolsos com bolinhad de gude e rolhas para jogar sob as patas dos enormes cavalos que a polícia usava para dispersar a turma. Mas até chegar às barcas o pau comia em nosso lombo. O importante é que a ditadura, apesar do longo tempo, não conseguiu podar e nem alienar nossa geração. O que me entristece hoje é que não temos o Luiz Reid, um colégio público, como antigamente".
Edilson, Leandro e Niraldo falam da felicidade que foi sair daqui, numa época difícil, e poder voltar para o nobre exercício da medicina. Com justo orgulho, Edilson não esqueceu a importância desse retorno: - "Nós três voltamos e fomos atuar no Hospital São João Batista, uma Casa de Caridade, onde estamos até hoje, desde 1974. Fazemos medicina privada, somos aposentados, mas até hoje estamos atendendo doentes ali. Leandro, por exemplo, foi Provedor durante vinte um  anos e eu fui por nove anos, E Niraldo foi sempre muito ativo na enfermaria do hospital. Esse é o prazer que temos, porque somos daqui, porque para ser Provedor tem que ter uma história de Macaé. Temos orgulho disso". 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ESVAZIADA, DIREITA PERDEU O RUMO E BRIGA ENTRE SI

A direita brasileira, aninhada no DEM e PSDB, está atônita, com seus caciques brigando entre si à procura de uma liderança que consiga estabelecer sua unidade e definir um projeto político para se impor como oposição autêntica e coerente em face do novo governo petista.

Lula, o metalúrgico das ruidosas greves sindicais que apavorava grandes empresários com seus inflamados discursos contra o liberalismo, acabou como um grande parceiro dos capitalistas  no desenvolvimento econômico ao abrir as portas do BNDES para quem produz e oferecendo crédito fácil para uma expressiva demanda reprimida. A proposta ideológica não levou ninguém ao paraíso, mas elevou o moral de milhões de excluídos que agora podem dispor de um celular e um cartão de crédito para entrar nas catedrais do capitalismo (os shopings) e consumir.

A direita ficou sem voz e sem bandeira. Agora, depois da longa ditadura que lhe deu inspiração e sustentação centradas na Tradição, Família e Propriedade, ela se sente desamparada e sem rumo com a abertura democrática e depois de dois bem sucedidos governos petistas. Perdida e dividida, há lideres que desejam mudar de partido e outros aue veem o problema como uma questão simbólica, que basta trocar a sigla para as divergências desaparecerem e que um novo caminho surgirá. O DEM, por exemplo, já fez isso algumas vezes, pois foi Arena com força na ditadura, depois, devido o desgaste pela sua afinidade com a repressão e mantendo a mesma essência, resolveu ser PDS, PFL e, hoje, segue a mesmice, trocar o DEM  por  outra legenda, o PDB – Partido da Democracia Brasileira. Acredita, como os alquimistas medievais, poder encontrar a pedra filosofal, criar o elixir da vida e ainda, pela mágica fórmula “solv et coagula”, transmutar metais inferiores em metais superiores, como o ouro. Acredita que transferindo o “Sangue de Boi” do copo de geleia para uma fina taça vai conseguir transformá-lo num famoso francês “Romanée-Conti”, reverenciado por enólogos e enófilos de todo o mundo por seu sabor aveludado e aroma floral, que Lula, num momento de afago e concessão capitalista, não resistiu e degustou o néctar  sem nenhum remorso ideológico.

A tarefa agora dessa direita desarvorada e da impresa que lhe apoia, é tentar queimar a excelente imagem que Lula hoje desfruta no seio do eleitorado, exaltando decisões da presidenta Dilma e, em vã tentativa de comparação, insistir que ele deixou uma herança maldita com seus excessivos gastos. É o medo de Lula voltar com as eleições de 2014 ou até mesmo de 2018.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PORTUGAL E NOSSO ATRASO

Estou acabando de ler “1808”, excelente livro do paranaense Laurentino Gomes, resultado de dez anos de pesquisa, ótimo presente que os pais deveriam dar aos jovens filhos no encerramento de 2010, mas que ainda podem fazer comemorando a chegada de uma mulher ao poder depois de 510 anos de nossa turbulenta história.


Muitas coisas já sabia sobre a tumultuada vinda da corrupta, medrosa, fedorenta, fuxiqueira e atrasada corte portuguesa para cá, mas o escritor foi fundo e detalhista em sua investigação sobre o modo de vida da corte e a fragilidade econômica do mais atrasado país europeu que, modelada pelo poder inquisitorial do rançoso e alienado catolicismo medieval, acabou aprofundando raízes de uma cultura que nos deixou em grande desvantagem em relação aos outros países, principalmente dos Estados Unidos, descoberto dois antes do que o Brasil.


A chegada de D. João marca 308 anos de colonialismo, de exploração extrativista, que se estende com D. Pedro II a 388 anos com o agitado mercado de negros trazidos aos milhões para cá, enriquecendo a elite. Diferente da visão protestante que estabeleceu as bases para o surgimento da nação mais poderosa do mundo, a preguiçosa elite portuguesa considerava o trabalho uma atividade aviltante, uma espécie de castigo, própria para os negros, tratados como semoventes, animais de carga.


Se analisarmos bem, o advento da República não significou melhora alguma para os negros, mulatos e brancos pobres, abandonados à própria sorte em casebres miseráveis nos morros e no entorno das cidades. Então, o Brasil como projeto político só começa mesmo com Getúlio Vargas em 1930, enfrentando a força dos políticos que representavam a elite paulista, mineira e carioca no parlamento. Até para criar a Petrobras em 1954, que os americanos não queriam, foi necessária a campanha popular do “O petróleo é nosso”, porque lideranças de direita acreditavam que essa medida iria enfraquecer seu poder. É o que o jornal O Globo acha agora quando os fundos de pensão dos trabalhadores, dispondo de bilhões em caixa, compram ações de empresas estratégicas e exercem peso político.


Depois de Getúlio, a esperança era Goulart, que ameaçou as feras, até então recolhidas, e acabou apeado do poder, causando uma ruptura no processo de desenvolvimento que a esquerda alimentava. Pós ditadura, Fernando Henrique foi o suspiro da direita que quase entrega a Petrobras. Com Lula, o Estado volta a ter força e passa a ser o principal indutor do crescimento, com o BNDES abrindo bilhões de crédito às empresas nacionais.


Agora, essa gente tem que engolir uma ex-guerrilheira prometendo acabar com a miséria e alavancar mais ainda a economia do país. E vê-la indicando para o Ministério da Ciência e Tecnologia o jovem petista Aloizio Mercadante é animador, que já estuda uma forma de trazer de volta brasileiros, de alta formação acadêmica, que migraram para o exterior porque aqui não havia campo para o desenvolvimento de suas atividades de pesquisa. Segundo ele, o Brasil está formando cerca de 50 mil mestres e doutores, mas há apenas um engenheiro para 50 formandos, enquanto a Coreia do Sul forma um para cada quatro. Então, sem ciência e tecnologia o país não consegue avançar e disputar mercado com os outros países. O País já entrou em seu rumo, agora é avançar mais e saber defenestrar das instituições quem não tem competência e os que só querem fazer política partidária.

MISTO QUENTE

O INCÔMODO LULA: A imagem de Lula, que sai do governo com 87% de popularidade, vai continuar incomodando os partidos de direita e mais ainda a imprensa que os apoia. Eles têm a dificil tarefa de desgastá-la, preocupados com 2014. Agora, até o festejado colunista Merval Pereira usa seu imenso espaço no Globo para criticar Lula e sua família, que merecidamente, convidados, foram descansar no Forte dos Andradas, no Guarujá. Merval fala: “como é difícil para o ex-presidente se desligar das modormias do poder que usufruiu nos últimos oito anos”.



O INCÔMODO LULA: Ora, mesquinharia, perseguição vergonhosa que se utiliza de qualquer coisa para tentar ridicularizar um presidente que incansável e brilhantemente trabalhou por oito anos para colocar este País no rumo do crescimento econômica e do desenvolvimento social. Merval continua, como o Globo determina, cumprindo sua tarefa.


BELO ORÇAMENTO: A exploração do petróleo em nossa costa enriqueceu Macaé através dos impostos das empresas aqui sediadas e dos royalties. Sem ele e consequentemente elas, o município continuaria com sua pacata vida, com seus 50 mil habitantes e nenhuma outra atividade, além do fraco comércio, a lhe garantir o formidável número de funcionários públicos. Para 2011, a Câmara aprovou o espetacular orçamento de R$ 1,3 bilhão. O que fazer com ele? Eis a questão que a comunidade precisa saber.

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

LULA: COMBATEU O BOM COMBATE E O POVÃO GUARDOU A FÉ

Apesar da postura neoliberal e elitista dos que detém os meios de comunicação e ainda exercem forte influência no Legislativo e Judiciário, a democracia traz em sua essência o contraditório, a possibilidade de um vir a ser capaz de alterar profundamente uma ordem social, o status quo, ou seja, o estado das coisas que só contribuem para o bem estar dos mais poderosos.

Um operário das lutas sindicais e das greves que amedrontavam a ordem então vigente, conseguiu essa façanha, de estremecer a espinha dorsal do capitalismo selvagem e dar-lhe uma feição mais humana com a distribuição da riqueza produzida pelo trabalhador, mas com maior acúmulo em apenas 10% da sociedade. E mais, conseguiu tirar da boca dos poderosos a amaldiçoada pecha de subversivos, que até então interessava ao regime e à mídia de direita apontar, com conotação política, aqueles que simplesmente buscavam seus direitos. Lula amargou uma prisão por causa disso, por “incitar o povo à subversão da ordem vigente”, que eram apenas salários mais dignos, com associação à mais valia exposta por Marx em O Capital.

Aliás, oportuno lembrar e citar aqui a resposta que o catedrático da cadeira de Sociologia da Universidade Georgetown, William Douglas, em entrevista quando do meu curso (1992) no George Meany Center, nos Estados Unidos ( Silver Spring – Maryland). Perguntei-lhe: professor, no Brasil, quando o trabalhador se vê obrigado, em última instância, a recorrer ao movimento de rua para reivindicar seus direitos, é sempre tachado de subversivo. Como vê isso? Ele esboçou um leve sorriso e foi direto: “Ora, nós tivemos aqui nos Estados Unidos muitos subversivos, como George Washington e Thomas Jefferson, que se rebelaram contra a opressão inglesa. Quando a ordem social é injusta, é bom que haja muitos subversivos para mudá-la”.
Depois de 308 anos, nem com a fuga de D. João VI para cá, com medo de Napoleão, acompanhado de grande comitiva ociosa e burocrática, o população brasileira viu perspectivas de melhoria em sua condição social. Aliás, muitos tiveram que deixar suas casas para acomodar a Corte e cerca de 15 mil portugueses arrogantes e autoritários. E mesmo com a abolição da escravidão em 1888 e do surgimento da República 1889, nada mudou até a revolução liderada por Getúlio Vargas (1930), que se viu forçado a implantar uma ditadura depois para poder enfrentar as oligarquias com sua política do café-com-leite, os latifundiários de São Paulo com o café e os mineiros com sua extensiva criação de gado, que dominavam cartórios com as grilagens e o Congresso Nacional.

João Goulart, que seria mais um avanço, acabou sendo chamado de comunista e apeado do poder (abril de 64), já que suas reformas preocupavam seriamente os americanos, os latifundiários e a mídia de direita de braços dados à famigerada Tradição Família e Propriedade (TFP). Então, só depois dos desastrados Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique com seu neoliberalismo entregando o país às multinacionais, surge o metalúrgico Lula como uma luz no fim de longo túnel.

Tornou ele o país respeitado mundialmente, livrando-o da vegonhosa “relação carnal” com os Estados Unidos, mantendo a inflação sob controle, aquecendo o mercado interno com o povão usufruindo de crédito fácil, concedendo o Bolsa Família a milhões de excluídos, expandindo a construção civil, construindo 274 escolas técnicas, elevando o poder aquisitivo do trabalhador, garantindo ao país uma reserva de mais de US$ 200 bilhões, reativando a indústria naval, estimulando através do BNDES o crecimento das exportações e, com a economia pujante e em expansão, deixa o governo com 15 milhões de empregos com carteira assinada e uma aprovação popular de 83%. Pode descansar e dormir em paz com sua consciência de pau-de-arara que foi, porque, de fato, nunca, na história política deste país, um presidente tenha deixado o cargo com 87% de aprovação popular.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

OS PRIVILEGIADOS DE UMA DEMOCRACIA CAPENGA

A Constituição brasileira tem tudo aquilo que o cidadão comum necessita para se sentir  inserido naquele princìpio de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e lutar para conquistar seu bem-estar social. Porém, entre a vontade do legislador contida na Carta Magna e a realidade só alguns são de fato mais iguais entre si. Exemplo: entre senadores, deputados, desembargadores e juízes a relação salarial é respeitada como algo sagrado. Suas excelências se sentem ofendidas em sua honra se a correção dos vencimentos não for de acordo com seu status, cálculos e a ansiedade capitalista do ter mais, enquanto professores, funcionários da administração e trabalhadores de um modo geral são forçados a fazer greve e, em última alternativa, ir às ruas reivindicar  direitos e ainda ser vistos como baderneiros.
Veja a situação da  Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Não produz perfumaria, mas o saber que centenas de jovens  estão ali para assimilar e assegurar seu futuro, só que se veem impedidos pelas paralisações constantes promovidas pelo corpo docente em luta por melhoria salarial. Como o governador e deputados (como nossos representantes Glauco e Sylvio Lopes) certamente não têm filhos estudando lá, cidade do interior distante da capital, não há forte motivo para preocupação, de imediato, com a aflição dos jovens sem aula. As promessas da recente campanha eleitoral de valorização da categoria são metas para longo prazo, talvez  2020. Como no tempo das cavernas, no confronto, o mais fraco sempre perde. Os Estados Unidos destruíram o Iraque, atacam o talibã no Afeganistão e quer invadir o Irã antes que construa sua bomba atômica, mas não faz ameaças à China e nem à Rússia, porque sabe que o buraco é mais embaixo. Assim também os deputados e magistrados, como  têm “poder de convencimento”, se impõem e determinam eles mesmo o quanto fazem jus.
Sem nenhum dificuldade, com apenas uma votação, na quarta-feira 15 a Câmara Federal aumentou os salários de deputados, senadores e ministros em 61,83%, passando para R$ 26.723,00, somando-se aí as poplpudas vantagens e quinze salários anuais. Bem, agora vem o efeito cascata. Os deputados estaduais aumentando seus salários em até 75% dos do que ganharão os federais. Também os vereadores, que poderão, por lei, crescer seus vencimentos de 20% a 75% do que perceberão os estaduais. E o Judiciário, não vai fazeer o mesmo?
Certamente para melhor aparência de igualdade social, estão querendo agora acabar com o privilégio de cadeia especial para os que têm diploma superior, mas deixando de fora suas excelências do Judiciário, talvez porque eles se sentem mais especiais, semideuses moradores do sagrado Monte Olimpo, onde a liturgia do ambiente e do cargo exigem indumentária como vestes sacerdotais e, mesmo cometendo crime, não podem se misturar com a “raça inferior”. A Revolução Francesa conseguiu derrubar o poder dos aristocratas, mas o “data vênia” nas entranhas processuais ainda soa por aqui com ranço de subalternidade, pelo menos na cabeça de muitos jovens advogados.
Além da abissal diferença entre o salário mínimo e o maior salário no poder público, o “todos são iguais perante a lei” tem validade apenas no papel, porque quando um magistrado é pego em corrupção, a pena dele é vista pela plebe como um prêmio, a aposentadoria antecipada com todos os direitos salariais garantidos. Já os demais funcionários públicos perdem o emprego e ainda respondem na Justiça pelo delito. E assim caminha nossa democracia em busca da tão sonhada igualdade social.