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terça-feira, 30 de setembro de 2008

45 - O TIRO DE MISERICÓRDIA?


Estava quieto em meu canto, recolhido em reflexões literárias à sombra de fruteiras ouvindo o belo canto matinal de uma sabiá sempre em meu quintal, admirando a alegre algazarra de bem-te-vis e sanhaços, quando as ondas portadoras da propaganda eleitoral invadem o espaço em altos decibéis tentando nos convencer, com a mística fatalista dos mulçumanos, que “agora é tudo ou nada, ou você está com tudo ou não está com nada”, que a única solução para Macaé é votar no 45.
Lembrei-me das orientações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ayres Brito, sobre o político com ficha-suja e a responsabilidade do eleitor em dar um cartão vermelho para ele com seu voto. Também do ministro Marco Aurélio Mello, ao dizer que o político não tem o direito de alegar vida privada para se blindar. Por isso, como cidadão desta terra invadida, atropelada e atormentada pela violência, ao me ver sob a ameaça de um quarto governo que se repetiu por doze anos e se exauriu pela frustração que causou, resolvi deixar de ser vítima passiva diante das besteiras e afrontas que venho ouvindo através dos escandalosos carros de som. A ousadia de Teixeira em querer voltar ao poder, talvez por vaidade ou para dar uma chance ao filho mais na frente, me dá o direito de expressar meu desagrado e apontar as razões.
Para quem está em conexão com os acontecimentos desta cidade e deseja vê-la caminhando rumo a um estágio mais avançado de vida, pode estabelecer melhor juízo de valor e saber, com mais certeza, quem está tentando passar a imagem de competente e falando a verdade. Acompanhei os oito anos consecutivos da administração passada e vi que ficou devendo muito em relação à ética, à eficiência no trato com a coisa pública e às obras prometidas. Vi, por exemplo, uma poderosa empreiteira, sempre com contrato na prefeitura, ser denunciada na Justiça pelo Sindicato de Asseio e Conservação por irregularidades trabalhistas e que era dona de outras 18 empreiteiras, todas localizadas numa mesma pequena sede no Lagomar. Acompanhei investigação aberta pela Promotoria Pública contra o secretário de Obras, dono de uma empreiteira criada em 1997, dirigida por jovens sobrinhos, e que só fazia contratos com a prefeitura. Assim como milhares de contratações de mão-de-obra através de uma de uma falsa cooperativa, que a Justiça condenou e determinou o prefeito a não mais ter relação com ela, obrigando-o a abrir concurso público, como determina a Constituição Federal.
Como o candidato diz que “é só olhar para ver”, seria bom refrescar a memória do eleitorado, citando algumas obras prometidas em sua “Plataforma de Governo 2001/2004 – Macaé não pode parar” e que não foram não foram realizadas, como: 1 - o complexo administrtativo de Virgem, para onde seriam transferidas as secretaria que funcionavam no Barracão; 2 - a implantação do sistema de guaritas nas entradas da cidade; 3 - a implantação do Banco do Povo; 4 - reflorestamento dos morros e encostas, com limpeza e preservação dos rios e lagoas; 5 - construção de 4.000 casas em conjuntos habitacionais, dotados de creche, escola, saneamento básico, área comercial, esportiva e médico de família; 6 - conclusão projeto orla da lagoa; 7 - saneamento e asfalto em todas as ruas dos bairros Miramar e Visconde, até atingir todos os bairros periféricos; 8 - moderna urbanização da Av. Alcides Mourão, na Aoreira; 9 - projeto orla Imbetiba e construação do Mirante da Imbetiba; 10 - revitalização do sítio denominado Outeiro de Sant`Anna, transformando-o em atração turística; 11 - cobertura e urbanização do canal da Av. Fábio Franco, desde a Aroeira até a Linha Vermelha; 12 - construção de estações de tratamento de esgoto na Aroeira, Praia Campista, entrada da Lagoa Imboacica, entre outros bairros, até atingir a meta de 100% de cobertura da cidade e distritos; 13 - instalar 80 km de rede coletora; 14 -construção de abatedouro/frigorífico em área de 15 alqueires já desapropriada; 15 - construção de novo terminal rodoviário intermunicipal; 16 - construção da avenida beira-rio, margeando o rio Macaé, desde a Presidente Sodré até o Botafogo; 16 - implantação do metrô de superfície, do Lagomar ao Parque de Tubos. Pois é, por aí vai, dezenas de outras obras importantes prometidas e esquecidas até mesmo nesta campanha, como o tratamento de esgoto global da cidade.

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