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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O GLOBO É CONTRA COMUNIDADE LATINA

Para quem acompanha de perto a política brasileira e a postura da chamada grande imprensa, a que tanto fala em liberdade de opinião e isenção na arte de produzi-la, pode ver com mais clareza a ridícula postura do jornal O Globo em relação a dois assuntos de grande importância no momento: a Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe e a ousadia da Inglaterra em querer explorar petróleo nas Malvinas.

Editorial desse jornal (Memória Curta), sem nenhum pudor, mostra de que lado está, ao tentar ridicularizar a presidenta da Argentina Cristina Kirchner, que resolveu aproveitar o encontro das lideranças latinas para expor a afrontosa decisão da Inglaterra e buscar apoio. Sem nenhuma crítica aos britânicos, antigos dominadores dos mares com sua poderosa armada e corsários a serviço do rei, o jornal entendeu que “a Casa Rosada deveria tratar o assunto dentro da diplomacia, para que a disputa não se torne uma nova questão de orgulho nacional. Cristina tenta desviar a atenção do caos interno...”.

Como se vê, o jornal considera essa invasão da Grã-Bretanha fato sem importância, sem a dimensão política que o país vizinho quer dar, ao defender o direito pela posse das ilhas Malvinas. Ainda em menosprezo, O Globo diz que esse assunto “funciona como combustível para o viés terceiro-mundista do encontro, que periga repetir o mesmo cacoete dos lideres argentinos: recorrer a fórmulas surradas e derrotadas”.

Quando o presidente Hugo Chávez, com sua verve castrense, prometeu enviar forças para defender a Argentina em caso de ataque britânico, como já ocorreu em 1982, o jornal descaradamente diz: - “a situação parece feita para os demagogos, em especial para o maior deles, Hugo Chávez, com seu costumeiro show”. Generalizando, insinua que, além de Chávez, os demais líderes latinos também são demagogos, certamente excluindo o presidente Uribes, da Colômbia, onde os americanos têm base militar.

Ora, é justamente sobre a hegemonia americana sempre e a subserviência de seus parceiros por aqui que novas lideranças latinas, com viés contrário ao neoliberalismo, estão procurando discutir e tentar desmantelar a geopolítica que foi imposta e sustentada por ditadores, principalmente militares, controlados pelos americanos no pós-guerra com a bipolaridade ideológica espertamente explorada à exaustão na chamada guerra-fria, época em que os “comunistas comiam criancinhas”.

É bom lembrar que, além da ditadura de Pinochet e dos americanos com seu porta-aviões por aqui, a ditadura brasileira também permitiu que avião britânico aqui pousasse na guerra das Malvinas. Em reciprocidade, a Grã-Bretanha ajudou os Estados Unidos na invasão do Iraque e está também no Afeganistão, sob o ridículo pretexto de manter a segurança de seus cidadãos, ameaçados pelo terrorismo. Antes, os Estados Unidos forneceram armas ao Iraque e insuflaram Saddam a atacar o Irã, que resiste a política ocidental de dominação. Torturam prisioneiros na base de Guantánamo, deram golpe em Honduras, com medo da aproximação de Zelaia com Chávez, instalaram seus marines na Colômbia e ainda passeiam com sua IV Frota pela costa latina, de olho em nossas reservas petrolíferas. E a ONU, com suas inócuas OEA e OTAN mantém-se em silêncio. Eis o motivo pelo qual os latinos precisam ter um órgão que reflita e defenda os interesses da região, como o presidente Lula vem tentando convencer seus parceiros, procurando um ajudar o outro, coisa que o jornal O Globo acha um atraso, um cacoete terceiro-mundista.

1 Comentários:

  • Que grata surpresa encontrar nesta via, um homônimo, tão homônimo que participa e comunga de interesses tão convergentes.

    Muito prazer !

    Armando Barreto
    Campos dos Goytacazes

    Por Blogger Armandao.com, às 3 de março de 2010 às 10:28  

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