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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

I HAVE A DREAM

Complicado o processo eleitoral americano e tecnicamente muito atrasado o sistema de votação se comparado ao nosso, mas sua campanha política é bem mais envolvente, transparente e espetacular do que a brasileira. Lá, o arraigado puritanismo religioso influenciado pela doutrina calvinista assentada na disciplina, na vida regrada, afastada dos vícios e que via o trabalho e o lucro como virtudes afinadas com o divino, ainda está bem entranhado na tradição social. Assim como a liberdade, sacralizada sob inspiração da reforma luterana do “livre exame”, dá àquele país, com toda a hipocrisia dos tempos atuais e o racismo ainda resistente em alguns estados, a liderança mundial em todos os aspectos da vida. Há que se reconher isso, sua democracia funciona melhor.
E lá, não dá para pensar em partidos políticos e justiça eleitoral aceitando candidaturas, por exemplo, de Maluf, Jerominho, Carminha Jerominho, Álvaro Lins, Collor de Mello, Renan Calheiros e muitos outros notórios currículos que envergonham a política nacional.
Mas se lá os negros vêem agora uma parte do sonho do reverendo protestante Martin Luther King se realizar com a eleição de Barack Hussein Obama, aqui nossa trôpega democracia já deu também sinal de mudança com a eleição de um pobre retirante nordestino, metalúrgico, de voz rascante, sem atração física (chamado por Brizola de sapo barbudo) e nenhum diploma universitário, para raiva, embora dissimulada, dos maquiavélicos conservadores de direita.
Bush, como o incendiário Nero da antiga Roma, só fez mal ao mundo com sua política hegemônica, que a pretexto de combater o terrorismo e defender as liberdades democráticas montou uma grande farsa, repetindo muitas vezes na imprensa, ao estilo do nazista Goelbs, que o Iraque era um perigo à paz mundial com seu arsenal de armas de destruição em massa. Por isso enriqueceu sua indústria bélica despejando toneladas de bombas sobre um sofrido povo tutelado pela sanguinária ditadura de Saddam Hussein.
Com Obama na Casa Branca dá para acreditar que o diálogo entre as nações será restabelecido e que o princípio da autodeterminação dos povos vai entrar na pauta política externa americana. Que a Cuba de Fidel, num futuro talvez não muito longe, terá espaço no mercado e que na base militar de Guantánamo não haverá mais torturas, que seus muros, como o de Berlim, poderão ser derrubados e, quem sabe, seu domínio devolvido à Cuba.

1 Comentários:

  • Armando, você é o melhor observador político que eu já conheci. Com a sua dignidade peculiar, você sabe muito bem separar alhos de bugalhos e a síntese de sua descrição é tão alarmante, que José Milbs tinha que te pagar muito mais do que o Estado de São Paulo paga a seus analistas. Mas, convenhamos, se de tudo isso ainda sobrar umas mangas e algumas jacas lá no sítio e der para vc fazer um suco ou um doce, vá nessa. Porque leitores como nós, simples mortais, precisamos ler tuas crônicas. Abs, Phydias Barbosa (o primo, não o irmão)

    Por Blogger Unknown, às 20 de novembro de 2008 às 20:33  

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